Você, que está lendo esse artigo, consegue imaginar um mundo sem produtos do setor petroquímico?

Provavelmente não! Porque a petroquímica é um ramo da indústria química que utiliza como matéria-prima derivados de petróleo, em especial a nafta e atende uma demanda enorme da sociedade com produtos, de tal forma que, imaginar o mundo sem esses produtos é muito difícil.

A consolidação da petroquímica se deu nos Estados Unidos, na década de 1920, e teve início na Europa e no Japão. Na América Latina, incluindo o Brasil, esse avanço se deu na década de 1960. A criação da Petroquisa em 1967, subsidiaria da Petrobrás, foi a grande responsável pelo desenvolvimento do setor petroquímico no país, seguida da Petroquímica União. Os três principais polos petroquímicos no país foram construídos no final da década de 1970, sendo o primeiro em São Paulo, o segundo em Camaçari, Bahia e o terceiro em Triunfo no Rio Grande do Sul. Esses três polos utilizam a corrente de nafta, uma fração líquida oriunda do refino do petróleo. No Rio de Janeiro, em Duque de Caxias, em 1962, a Fabor, primeira planta petroquímica do Brasil, entrou em operação. Em 1977, passou a se chamar Petroflex, e em 2008 foi adquirida pela Lanxess. O polo petroquímico no Rio de Janeiro utiliza a corrente de gás natural, além da nafta.

Os sofisticados processos petroquímicos são capazes de quebrar, recombinar e transformar as moléculas originais dos hidrocarbonetos presentes no petróleo ou no gás. Geram em grande escala, uma diversidade de produtos, sendo possível identificar produtos de origem petroquímica na quase totalidade dos itens industriais consumidos pela população. Vão desde embalagens e utilidades domésticas de plástico, tecidos, calçados, alimentos, brinquedos, materiais de limpeza, pneus, tintas, eletroeletrônicos, materiais descartáveis e muitos outros.

Os produtores de primeira geração do Brasil, denominados "craqueadores", fracionam a nafta ou gás natural. A nafta ou o gás natural passam por um processo chamado de craqueamento e a partir desse, ocorre a produção de petroquímicos básicos, como as olefinas, eteno e propeno, e os aromáticos, benzeno e tolueno. O eteno é o precursor do setor petroquímico mais utilizado no mundo. O tipo de matéria-prima empregado tem rendimentos variados e determina um 'leque' diferenciado de produtos. Após a quebra do monopólio, os craqueadores passaram a poder adquirir matéria-prima por importação direta, sem a Petrobrás como intermediária. Na sequência, a cadeia produtiva inclui os produtores de segunda geração, que compram os petroquímicos básicos na forma gasosa ou líquida. Em geral, as indústrias de segunda geração ficam localizadas próximo às unidades de craqueamento, e processam os petroquímicos básicos produzindo petroquímicos intermediários, como polietileno, poliestireno, polipropileno e polibutadieno. Os polietilenos de lata densidade, de baixa densidade e o de baixa densidaade linear são as resinas poliméricas mais utilizadas no mundo. Os petroquímicos intermediários são produzidos na forma sólida em "pallete" ou em pó e são vendidos aos produtores de terceira geração; que em geral, não ficam situados próximo aos produtores de segunda geração. Os produtores da terceira geração, denominados transformadores, pois compram os petroquímicos intermediários e os transformam em produtos, como os plásticos, as fibras e os elastômeros. 

O IBGE junto a ABIQUIM criou uma classificação que apresenta esse setor com maior nível de detalhamento, sendo possível observar a complexidade existente e o porquê não dá pra imaginar um mundo sem produtos petroquímicos. A classificação é dada pelos tipos de produtos: produtos petroquímicos inorgânicos (cloro e álcalis), produtos químicos orgânicos (intermediários das resinas e fibras), resinas e elastômeros, filamentos, cabos, fios e fibras, produtos farmacêuticos, defensivos agrícolas, produtos de limpeza (sabões, detergentes) e artigos de perfumaria, lacas, vernizes, esmaltes, tintas e afins, e diversos produtos e preparados químicos (explosivos, adesivos, catalisadores, selantes, filmes, chapas, discos, papéis, aditivos industriais e outros).

Não seria possível deixar de citar a Braskem que foi criada 2002 e é a maior produtora de resinas termoplásticas nas Américas e a maior produtora de polipropileno nos Estados Unidos. Sua produção abrange as resinas polietileno, polipropileno e policloreto de vinila, além de petroquímicos básicos como eteno, propeno, butadieno, benzeno e tolueno. Trata-se, portanto, de uma cadeia petroquímica integrada de primeria e segunda geração de resinas termoplásticas no Brasil.

Instagram: @karla.acemano

 

Autoria

  • Karla Acemano De Jesus
    Engenheira
    Mesquita-RJ
    Doutora em Engenheira Química e Especialista em Eng de Segurança e Higiene do Trabalho. Docente, Perita e Consultora técnica.

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