Riscos Químicos no ambiente do trabalho - NR15

Os riscos à saúde que podem originar doenças ocupacionais são variados e precisam ser identificados, avaliados e eliminados quando possível, caso contrário, devem ser monitorados e controlados. Todos os agentes, químicos, físicos, biológicos, ergonômicos com potencial de afetar adversamente à saúde e/ou o bem-estar dos trabalhadores são considerados agentes de riscos no ambiente do trabalho.

Os riscos físicos incluem fatores ambientais agressivos como o calor, ruído, radiação ionizante e não ionizante, extremos de temperatura, campos magnéticos, pressão e vibrações. Os riscos biológicos incluem fungos, pólen, vírus, bactérias e parasitas, poeiras e materiais de origem orgânica. A resposta individual a um agente biológico é determinada em parte pela presença de outro organismo ou agente estressor, a virulência de determinado organismo e a susceptibilidade individual. Algumas atividades laborais básicas que apresentam riscos biológicos para as pessoas são fazendas, serviços de saúde, clínicas veterinárias, matadouros, patologistas, entre outras. Os riscos ergonômicos podem gerar distúrbios psicológicos e fisiológicos provocando alterações no organismo, distúrbios ou lesões musculoesqueléticas e alteração emocional. Os riscos químicos são substâncias que por suas propriedades físico-químicas e/ou toxicológicas podem apresentar perigo potencial à saúde ou a segurança dos trabalhadores que com elas entrem em contato ou as manuseiem.

Em relação aos riscos químicos, existem duas classificações, a física e a fisiológica. Na classificação física estão os materiais particulados sólidos ou líquidos de tamanhos inferiores a 100 μm (aerodispersoides), gases e vapores. A fisiológica aborda os efeitos desses agentes no organismo humano. Os materiais sólidos incluem as poeiras, fibras, partículas metálicas, entre outros, e geralmente a absorção é feita pelo organismo por ingestão e contato com a pele, porém no caso de partículas, como a poeira, a absorção pode ser por meio respiratório. As poeiras são sólidas particulados que flutuam no ar até se depositarem por gravidade e se originam nos processos de ‘golpeiamento’, ruptura, moagem, peneiramento, lixamento, trituração ou ainda na manipulação de grãos vegetais, mineração, jato de areia, transformação de calcário, amianto, pós de madeira etc. As neblinas são partículas liquidas geradas pela condensação de vapores de um líquido e as névoas são partículas liquidas geradas pela ruptura mecânica de um líquido. Os fumos são partículas muito pequenas que surgem a partir de materiais sólidos se vaporizando ou sublimando com o calor reagindo com oxigênio do ar, se resfriando bruscamente e condensando. Como exemplo, tem-se partículas de fumos de solda, onde os vapores do metal fundido se esfriam, solidificam e são aerotransportadas. Também se produzem nos processos de fundição de metais. A fumaça são misturas de gases, vapores e aerodispersoides provenientes da combustão incompleta de materiais. As fibras são partículas solidas produzidas por rompimento mecânico com característica física de um formato alongado.

Os aspectos fisiológicos são provocados por partículas sólidas não contendo asbesto (amianto) ou com teor de sílica cristalina abaixo de 1 %, sem efeito tóxico conhecido, mas que não podem ser consideradas biologicamente inertes. Algumas dessas partículas são fibrogênicas e alteram a estrutura celular dos alvéolos restringindo a capacidade de troca de oxigênio, como a sílica cristalina, amianto, berílio, ferro e algodão. Algumas são irritantes, inflamam e ulceram o trato respiratório, como as nevoas acidas ou alcalinas; ou provocam febre alta. As sistêmicas provocam danos em órgãos ou sistemas do organismo, podem ser mutagênicas e teratogênicas, induzindo mutação em nível celular ou alterações genéticas, alergênicas, ou ainda podem provocar câncer após período latente, que é o caso do amianto, dos cromatos e dos radionuclídeos. As partículas líquidas têm como principal meio de absorção a ingestão e contato com as mucosas, e em diversos casos o contato com a pele pode causar desde irritações à graves queimaduras. São exemplos desses agentes de riscos a gasolina, benzeno e ácidos. Os agentes gasosos são principalmente absorvidos por meio respiratório, porém em certos casos podem ser absorvidos em contato com mucosas ou com a pele, como exemplo, constam os gases nitrogênio, dióxido de carbono e propano. Os vapores são formas gasosas de sólidos ou líquidos nas CNTP, resultantes de vaporização ou sublimação, e são principalmente absorvidos por meio respiratório, porém em certos casos podem ser absorvidos em contato com mucosas ou com a pele.

Os principais danos à saúde e ao meio ambiente são irritação na pele e olhos, queimaduras leves, asfixia, alergias, intoxicações, anestesia, doenças respiratórias crônicas, doenças do sistema nervoso, doenças nos rins e fígado, carcinogenicidade, corrosão à pele e aos olhos, sensibilidade respiratória, sensibilidade à pele, mutagenicidade, toxicidade, degrabilidade, bioacumulação, mobilidade no solo e toxicidade no ambiente aquático.

Os fatores de risco incluem a concentração, o tempo de exposição, a suscetibilidade individual, a toxicidade, e devem ser observados durante o desenvolvimento do programa de prevenção de riscos ambientais. A concentração é um parâmetro importante, pois quanto maior a concentração maiores os efeitos nocivos sobre o organismo humano. A frequência respiratória e capacidade pulmonar também são fatores que envolve cálculo da quantidade de ar inalado pelo trabalhador durante a jornada de trabalho. A sensibilidade individual é variável para cada pessoa e deve ser levada em consideração, dentro do histórico médico do trabalhador. Um trabalhador pode apresentar características pessoais que podem levá-lo a sofrer os efeitos da exposição ao trabalho mesmo com exposições abaixo dos valores estabelecidos como limites. O tempo de exposição ao contaminante durante o ciclo de trabalho pode assegurar uma amostragem de fato representativa daquela exposição. E por fim, a toxicidade, que é o potencial tóxico da substância no organismo. Atenção redobrada deve ser dedicada aquelas substâncias que tem potencial tóxico mais elevado (normalmente limites de tolerância com valor muito pequeno), pois podem causar grandes efeitos nocivos mesmo em baixíssimas concentrações.

Na norma regulamentadora nº 15 constam anexos com exemplos desses agentes e a classificação para determinar o grau de insalubridade a ser adicionado sobre o salário mínimo da região no caso de exposição, sendo 40% (quarenta por cento), para insalubridade de grau máximo; 20% (vinte por cento), para insalubridade de grau médio; e 10% (dez por cento), para insalubridade de grau mínimo.

Autoria

  • Karla Acemano De Jesus
    Engenheira
    Mesquita-RJ
    Doutora em Engenheira Química e Especialista em Eng de Segurança e Higiene do Trabalho. Docente, Perita e Consultora técnica.

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