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Prevenção como único caminho para evitar tragédias

 A história dos povos mostra a inevitável necessidade de se aprender com as tragédias, sendo este o melhor caminho para não as ver repetidas.

A história dos povos mostra a inevitável necessidade de se aprender com as tragédias, sendo este o melhor caminho para não as ver repetidas.

Aprender significa conhecer o que as causou e atuar para mitiga-las e, se não for possível, eliminar os processos que as provocam. O negacionismo no enfrentamento desta tarefa por parte dos administradores públicos ou privados é negligência grave e deve ser motivo de enquadramento penal.

O Clube de Engenharia entende que morte de dez brasileiros, num momento de lazer de Capitólio, no lago de Furnas, no município de Capitólio (MG), desnuda o quão distante estamos na prevenção de acidentes naturais. É certo que concorre para esta e outras tragédias similares recentes, como as que vitimaram pessoas em “cabeças-d’água” em rios que alimenta o lago de Furnas, falésia de Pipa (RN, outubro/20) e na caverna em Altinópolis (SP, dezembro/21), a desinformação sobre os processos naturais que os provocam. Os processos naturais, especificamente os geológicos e hidrológicos, atuam permanentemente na construção das belíssimas paisagens brasileiras mas, de tempos em tempos, estes colocam em risco a segurança de pessoas e do patrimônio nas áreas do entorno

Além da melhoria da informação ao público, a forma já consagrada para prevenir tais situações está no mapeamento geoambiental, indicando as áreas de risco no planejamento de atividades turísticas, ou em apoio ao monitoramento de alterações sensíveis em margens de barragens, por exemplo, que exijam ações de controle e contenção. Importa alertar que as grandes variações no nível d’água dos reservatórios nos últimos anos afeta toda a bacia hidrográfica, com impacto maior no intemperismo em margens escarpadas, promovendo a erosão e o solapamento que levam ao tombamento de blocos, como observado em Capitólio.

Há muito, a Engenharia brasileira demonstrou sua competência em técnicas de estabilização de encostas ou desmonte controlado de blocos de rochas, que são corriqueiramente empregadas na Geotecnia. Então, solução há, e os custos de prevenção normalmente não superam a ordem dos 5 a 10% de qualquer empreendimento.

O Brasil dispõe de milhares de sítios turísticos que apresentam áreas de risco a processos naturais. As repetidas tragédias exigem aprimoramentos na legislação que estabeleceu a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei no 12608/2012), com dispositivos legais e específicos para o mapeamento e prevenção de risco nestes locais turísticos. A expansão desta atividade econômica impõe que as prefeituras disponham de profissionais especializados, como geólogos, engenheiros e geógrafos, voltados para o trabalho de planejamento territorial e prevenção de acidentes. Também é fundamental que os governos federal e estaduais voltem a realizar investimentos em mapeamento, prevenção e controle de riscos naturais no Brasil, que ano a ano vêm sofrendo cortes incompreensíveis e desmobilização das instituições públicas das áreas da Engenharia brasileira.

Ao tempo em que nos solidarizamos com as famílias enlutadas pelas perdas de seus entes na tragédia em Capitólio, reafirmamos o compromisso do Clube de Engenharia com a reconstrução de uma estrutura pública valorizada. Nossa história mostra que, havendo interesse político, superamos as adversidades e respondemos as expectativas por uma melhor qualidade de vida para todos os brasileiros, incluindo o direito a um lazer seguro.

As rochas vão continuar a rolar em todas montanhas do Brasil. Frente a esta particularidade, que nos lega um relevo e uma paisagem tão bela e, se não entendida, às vezes ameaçadora, se enfrenta com conhecimento, investimento público e ordenamento territorial, não com o negacionismo.

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