Nanotecnologia, os nanotubos de carbono

O carbono é um dos elementos químicos que apresenta uma variedade relevante de alótropos. Ao fenômeno natural que apresenta substâncias compostas pelo mesmo tipo de elemento químico, mas se diferem em estrutura tridimensional ou em atomicidade, é dado o nome alotropia. Essas substâncias possuem propriedades químicas e físicas completamente diferentes.

Os nanotubos (NC) de carbono, compostos apenas de átomos do elemento químico carbono, vem sendo pesquisados desde a década de 90 e muitas descobertas surgiram. As potencialidades deste nanomaterial são comprovadas pela quantidade de pesquisadores envolvidos com seu estudo no mundo.

Um estudo realizado usando metodologias quantitativas, mostrou que no Brasil a quantidade de investimento dispendida em pesquisas e desenvolvimentos (P&D) de nanomateriais tecnológicos estão abaixo do que poderia ser. Os Institutos Nacionais de Ciências e Tecnologia (INCT’s) estão diretamente ligados às linhas de pesquisa em materiais nanoestruturados, mas a P&D do NC encontra-se de certa forma estagnada. Em análise, o mesmo segue uma linha tênue com o desenvolvimento tecnológico, e depende diretamente do mercado financeiro, atendendo além das necessidades, demanda e expansibilidade do mercado. A distribuição anual da quantidade de artigos científicos publicados em periódicos comprova o grande avanço em P&D de NC, com oportunidade de mercado e geração de novas tecnologias. Segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) existem cerca de 99 grupos de pesquisa atuantes na área. Esses grupos estão concentrados nas Universidades e destacam-se a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Universidade de São Paulo (USP). Dentre as instituições que apresentam linhas de pesquisas em NC, o principal é o CTNanotubos, que produz em escala semi-industrial NC. O CTNanotubos é o centro de tecnologia em nanotubos e foi criado numa iniciativa do laboratório da UFMG com empresas privadas, objetivando tornar o valor de mercado do NC algo mais viável. No entanto, o elo entre os laboratórios de pesquisa de universidades e o setor industrial de produção e aplicação do NC ainda está longe do eficiente, demonstrando que as parecerias precisam de incentivo e maiores investimentos.

O avanço tecnológico de um país serve de termômetro econômico, desta forma o incentivo e fomentação das linhas de pesquisas sobre nanomateriais são imprescindíveis.

Autoria

  • Karla Acemano De Jesus
    Engenheira
    Mesquita-RJ
    Doutora em Engenheira Química e Especialista em Eng de Segurança e Higiene do Trabalho. Docente, Perita e Consultora técnica.

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